sexta-feira, 2 de março de 2007

Formação do Relevo Terrestre

Alcione Gonçalves
Diego Fonseca


PROCESSOS ENDOGENÉTICOS NA FORMAÇÃO DO RELEVO

No planeta Terra, as forças exógenas (externas) e endógenas (internas) interagem-se e modelam a superfície do planeta, numa constante busca de equilíbrio.

Grande parte da topografia terrestre é o resultado de processos de diferenciação que produzem a crosta oceânica e a continental respectivamente.

A energia derivada das reações nucleares propicia a formação dos grandes relevos terrestres, através de processos que duram milhões de anos.

A movimentação de matéria do interior para o exterior do planeta e vice-versa, é contínua, e constitui o ciclo das rochas. Os fenômenos internos são: os magmáticos vulcânicos, os plutônicos, os terremotos, os dobramentos, os falhamentos, a orogênese a epirogênese, a deriva continental e a tectônica de placas.

O fluxo de calor interno é a mais importante fonte de energia terrestre, sendo as principais a radioatividade e a conversão de energia gravitacional em térmica.

A maior parte do conhecimento do interior da terra é formado através de estudos geofísicos, principalmente a sismologia, através desta surgiu a idéia da Deriva Continental e a Tectônica de Placas.

>A crosta: tem composição granítica; os oceanos têm composição basáltica - e o manto é composto principalmente por silicatos de ferro e magnésio.
>Fenômenos magmáticos são: aqueles relacionados á gênese, evolução e solidificação do material em fusão do interior da terra, e que dá origem às rochas ígneas, quando se solidifica na crosta, e intrusivas, quando se solidifica na superfície.
>Fenômenos metamórficos: rochas metamórficas são formadas quando rochas ígneas, sedimentares ou mesmo metamórficas - são recristalizadas a altas temperaturas e/ou pressões ou são formadas pela movimentação de placas tectônicas.
>Fenômenos tectônicos são: deformações e movimentações produzidas na litosfera, devido a esforços produzidos sobre o material rochoso. Sendo os mais importantes: a movimentação de placas, o falhamento e o dobramento.
>Orogenia são processos tectônicos intensos pelos quais vastas regiões da crosta são deformadas e elevadas.
>Epirogênese se caracteriza por movimentos verticais lentos de vastas áreas continentais.

Através de datações geocronológicas, em material magmático, constata-se a presença de episódios de intensa deformação crustal e forte atividade metamórfica e ígnea que incorporam um novo material à litosfera. Tais fenômenos são denominados ciclos orogênicos ou geológicos, e caracterizam as faixas móveis. Faixa móvel é uma longa e estreita região crustal que sofreu ou está sofrendo intensa atividade tectônica, com formação de rochas e deformação.

>Deriva continental é a teoria segundo a qual, os continentes se moviam sobre a superfície da Terra.
>Tectônica de placas é a teoria em que a litosfera flutua sobre a astenosfera. A litosfera é segmentada por fraturas, formando sete grandes placas e algumas outras menores, que deslizam horizontalmente arrastando os continentes por cima da astenosfera.

Principais limites de placas:

>Construtiva ou divergente: quando duas placas têm movimento em sentido contrário.
>Destrutiva ou convergente: quando duas placas movimentam mutuamente uma em sentido à outra.
>Colisional ou sutura: são também regiões de convergência, porém, sem consumo de placas.
>Conservativa: o movimento relativo da placa é horizontal e paralelo ao seu limite.
>Margens continentais: são regiões onde a crosta continental encontra a crosta oceânica.
>Margem continental passiva: é caracterizada por uma firme conexão entre a crosta oceânica e a continental. Pequena atividade tectônica ocorre nos limites entre os dois pontos.
>Margem continental ativa: é caracterizada pela presença de uma subducção, onde uma placa oceânica colide com uma placa continental.

TECTÔNICA GLOBAL E AS PRINCIPAIS FORMAS DO RELEVO TERRESTRE

A Deriva Continental foi inicialmente defendida por Alfred Wegner. Teoria segundo a qual, os continentes se moviam sobre a superfície terrestre.

Essa teoria é um modelo para a Terra em que a litosfera rígida e fria “flutua” sobre uma atmosfera plástica e quente. A litosfera é segmentada por fraturas, formando um mosaico com grandes placas e algumas outras menores, que deslizam horizontalmente, arrastando os continentes por cima da astenosfera.

A teoria da Deriva Continental é idêntica a da Tectônica de Placas, pela qual, as fraturas são as placas tectônicas, e a atmosfera plástica e quente é o magma, local onde as placas tectônicas se movimentam.

As margens continentais são caracterizadas em ativas e passivas. A passiva é caracterizada por uma firme conexão entre a crosta oceânica e a continental. Pequena atividade tectônica ocorre nos limites entre os dois tipos de crosta, e sismos suaves são percebidos. Já a margem continental ativa é caracterizada pela presença de uma subducção, onde uma placa oceânica colide com uma placa continental, mergulhando sob a mesma. Nessas regiões, encontramos uma estreita depressão do assoalho oceânico, denominada “fossa”, ausência de plataforma continental bem estendida, como na margem passiva, e forte atividade tectônica, caracterizada por intensa sismicidade, com formação de montanhas e metamorfismo.

Grande parte da atividade tectônica terrestre ocorre no limite de placas litosféricas, em contraste com o interior delas, normalmente inativo tectonicamente.

Atividade Ígnea - Embora 90% do volume da crosta sejam constituídos por rochas ígneas e metamórficas, os sedimentos e as rochas sedimentares recobrem cerca de 66% da superfície dos continentes. Entretanto, mesmo nessas áreas, em grande parte cobertas por fina película sedimentar, as estruturas existentes no embasamento subjacente se refletem na cobertura, controlando em maior ou menor grau a modelagem da superfície.

Os principais tipos de Erupção são: havaiana ou lagos de lava; estromboliana , vulcaniana, pliniana e linear.


As principais formas do vulcão são: escudo vulcânico, estrato-vulcânico, cone de piroclática e as caldeiras. Essas formas são altamente susceptíveis aos agentes externos.

A movimentação das placas tectônicas pode produzir falhas, que são fissuras na rocha, promovidas pelos abalos sísmicos. O falhamento pode produzir morros alinhados, corredeiras, cachoeiras, lagos, vales encaixados, vales suspensos, formação de fontes alinhadas, drenagens superimpostas e capturas.

As dobras são formadas no interior da crosta terrestre, onde a temperatura e pressão promovem a plasticidade da rocha.

O Metamorfismo é um fenômeno plutônico que através da temperatura e pressão, além dos agentes químicos, faz rocha ser modificada no interior da crosta, o que com o tempo pode levar ao afloramento dessa rocha.

Neste texto o tema central da argumentação foi a exposição dos principais agentes formadoras do relevo, os internos e os transformadores, internos e externos.

Narrou como as formas de relevo e o assoalho composto pela litosfera é gerado e moldado, até chegar nas formas encontradas hodiernamente.

REFERÊNCIAS:

CHISTOFOLETT, Antônio. Geomorfologia, São Paulo, Edgard Blücher, 2ª edição, 1980.
PENTEADO, Margarida Maria. Fundamentos de Geomorfologia. Rio de Janeiro: IBGE, 3ª edição, 1980.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Ilusão de Ótica

(Se preferir, click nas imagens para aumentá-las)


O que você enxerga?



Quantos seres você enxerga?





A Mata Atlântica

Diego de Sousa . R. Fonseca


Floresta Latifoliada Tropical Úmida de Encosta e Mata Pluvial Tropical são também denominações usadas para se referir a Mata Atlântica, nome mais usado. O nome Mata Atlântica se dá pela proximidade da mata, ao litoral brasileiro, que é banhado pelo Oceano Atlântico.

A mata compreende a região costeira do Brasil. Percorre uma importante cadeia de montanhas que acompanha a costa oriental brasileira, desde o nordeste do Rio Grande do Sul até o sul do estado da Bahia. Ao norte, as maiores altitudes se encontram no interior do país. Sua altitude média é em torno de 900 metros.

Seu clima é equatorial ao norte e - quente temperado sempre úmida ao sul. Tem temperaturas médias elevadas durante todo ano e alta pluviosidade. Por receber muita energia radiante e pelo alto índice de pluviosidade, trata-se de uma floresta exuberante, de crescimento rápido e sempre verde (perenifólia) -, as folhas não caem.

O interior da floresta é ligeiramente escuro devido ao adensamento de espécies vegetais. As condições físicas na floresta atlântica variam muito por causa da grande extensão territorial. A altitude e localização geográfica das camadas estudadas fazem com que apareçam microclimas e vegetações que vão se diferenciando ao longo da paisagem. Isso se deve a sua distribuição em condições climáticas e altitudes que distam, favorecendo a pluralidade de espécies que vão adaptando-se às condições topográficas, de solo e umidade locais.

Calcula-se que na Mata Atlântica existam 10 mil espécies de plantas com infinidade de cores, formas e odores. Encontra-se: jabuticabas, cambuás, ingás, guabirobas, bacuparis, orquídeas, bromélias, samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarandá-da-bahia, cabreúva, ipês, palmito entre outras. Trata-se da maior biodiversidade em espécies contidas entre as florestas tropicais. No seu interior, os extratos que predominam são o arbóreo e o arbustivo.

Os solos da floresta são, via de regra, pobres em minerais. A maior parte está contida nas plantas, ao invés de estar no solo. Como neste há muita serrapilheira, que origina abundante húmus, existem microorganismos de vários grupos, os quais, decompõem as matérias orgânicas incorporando-as ao solo. Esses minerais, quando liberados pela decomposição de folhas e outros detritos, são prontamente reabsorvidos pelo grande número de raízes existentes, retornando ao solo quando as plantas ou suas partes (ramos, folhas, flores, frutos e sementes) caem.

A floresta atlântica assemelha-se, quando falamos de fisionomia e composição de sua flora, à Floresta Amazônica. São igualmente densas, com árvores altas nos setores mais baixos do relevo, apesar de as árvores amazônicas apresentarem, em média, maior comprimento. A existência de espécies semelhantes entre a Amazônia e a Mata Atlântica sugere que estas florestas já se comunicaram em alguma fase de sua história.

O que distingue a Floresta Amazônica da Mata Atlântica, é que primeira é em geral, de planície, e a segunda de altitude. Suas temperaturas médias fazem com que a vegetação seja diferente levando-se em conta o seguinte aspecto: quanto mais distante a Mata Atlântica estiver do equador, mais ela se difere da vegetação amazônica devido à diminuição da temperatura.

A Mata Atlântica é o habitat natural do pau-brasil, árvore que deu origem ao nome do nosso país. Desde quando começou o extrativismo vegetal em grande escala no Brasil, a partir do século XVI (Brasil Colônia), a Mata Atlântica vem sofrendo com ações antrópicas irracionalizadas. Sua diversidade biológica e proximidade do litoral brasileiro, local onde os navios mercantes interessados em extrair riquezas naturais, principalmente madeira, chegavam para adentrar nosso território, deu início aos impactos ambientais que geraram a devastação atual.

Originalmente, a Mata Atlântica percorria o litoral brasileiro de ponta a ponta. Estendia-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e ocupava uma área de 1,3 bilhão de quilômetros quadrados. Hoje restam apenas 52.000 km quadrados, sete por cento do original, em ilhas localizadas em pontos diferentes do território brasileiro. Devido a grande devastação dessa mata, quase 200 espécies estão ameaçadas de extinção, fora aquelas que já se extinguiram, metade das espécies vivas poderão estar extintas até o final do próximo século.

A grande devastação se deve ao crescimento das cidades ao longo do sudeste brasileiro, onde há boa parte do bioma Mata Atlântica, a extração vegetal desordenada e a atuação da agricultura, que vem crescendo paulatinamente para atender à dinâmica populacional brasileira que se adensa no sudeste.

O organismo que atua de forma mais intensa para defender a preservação da Mata Atlântica é o SOS Mata Atlântica, que vem disseminando para o mundo a devastação que a mata está enfrentando, além da fiscalização e outros mecanismos de atuação para preservar este sistema natural, tão importante, mas desmerecido.



Referência:

Êxodo Rural no Brasil

Giliard Silva
Adriana Pereira

Pretendemos através deste texto, fazer uma breve discussão sobre a problemática do êxodo rural brasileiro, citando acontecimentos históricos e analisando alguns problemas que envolvem a agricultura hodierna, e geram a expulsão do homem campesino do campo.

Os objetivos dessa dissertação é chamar a atenção do leitor para os problemas sociais urbanos que permeiam nosso país, trazendo-o para dentro da discussão aqui estabelecida e deixando espaços para novas discussões sobre o assunto.

A mudança do campo para a cidade é um dos principais fluxos migratórios internos do Brasil, e é um fenômeno que acontece em todos os países do mundo, variando seu grau de intensidade.

A linha argumentativa tomará como pontos de partida os seguintes aspectos:

Onde se situa a maior taxa de emigração rural brasileira;
O motivo que atrai esses migrantes;
O que ocorreu para que essas pessoas deixassem determinada região;
Que impactos geraram onde saíram e aonde chegaram;
Que mudanças culturais houve naquelas pessoas que chegaram na cidade.

Podemos afirmar que houve uma transição da agricultura tradicional para a moderna quando se deu a entrada de investimentos na agricultura. As inovações de equipamentos técnicos e investimentos para o setor agroindustrial alteraram as relações de trabalho no campo.

A crescente capitalização da agricultura, e a expansão da agroindústria provocaram a concentração de terras, alterando as relações trabalhistas no campo e expulsando os trabalhadores.

Com a expansão do capital, aumentou a utilização de mão-de-obra assalariada nas zonas urbanas, o que atuou como fator primordial para que os trabalhadores rurais saíssem de suas terras e fossem em busca melhoria de vida, atraídos pela ilusão da facilidade de se viver nas cidades.

O êxodo rural é um processo que se dá em dois sentidos inversos - a aceleração do desenvolvimento atrai mão-de-obra rural para a cidade, ao mesmo tempo, a capitalização da agricultura cria condições favoráveis à expulsão do trabalhador rural do campo.

A saída do homem do campo em direção aos grandes centros urbanos, também denominado migração campo-cidade, é um movimento horizontal da população, que envolve milhões de pessoas, principalmente nos países subdesenvolvidos, à partir da década de 1950, em vista das mudanças nas economias nacionais e mundiais.

Desde 1940 o percentual de população rural no Brasil está em declínio, enquanto a urbana encontra-se em ascensão. No censo de 1970, a população urbana ultrapassou a rural no Brasil. Segundo a pesquisa realizada pelo IBGE de 1990 a 1995, a população rural declinou em torno de 30%.

Desde a década de 1950, a região Sudeste apresenta um intenso processo de metropolização e urbanização. Dados do IBGE sobre a década de 60 confirmam essa tendência, já que nessa época, 57,3% dos habitantes do Sudeste já residiam em cidades, era a única grande região do Brasil possuidora da população urbana maior que a rural naquele período.

No conjunto das grandes regiões, hodiernamente, a região sudeste ainda se destaca por possuir o maior percentual de sua população vivendo em cidades (88,3% da população urbana e 11,7% de população rural – IBGE, 1995), seguida pelas regiões Centro-oeste e Sul. As grandes regiões norte e Nordeste são atualmente as que possuem o maior percentual da população vivendo no meio rural.

Podemos observar que o Brasil foi se transformando em um país urbano a partir de 1940, e partir daí, o processo de crescimento populacional das cidades acentuou-se, chegando em 1995, segundo IBGE, a estabelecer a seguinte relação: de cada 100 pessoas no Brasil, 79 estão residindo em cidades.

Muitos são os motivos que incentivam direta ou indiretamente esses intensos movimentos populacionais, levando que famílias saíam do campo em busca de emprego e moradias nas cidades. Essa é a razão básica, ou estrutural, das migrações rurais-urbanas.

É comum nas áreas campesinas, que a família cresça desordenadamente e o tamanho da propriedade rural não atenda proporcionalmente ao sustento das famílias. Há também, em muitos casos, pessoas iludidas por uma vida melhor e “moderna” nas grandes cidades, divulgada principalmente pela televisão.

Outro fator que não se pode esquecer, é a pressão econômica e até física (uso da violência) dos grandes proprietários sobre os pequenos, a fim de comprar suas terras. Tal fenômeno ocorre juntamente com a intensa necessidade que os latifundiários têm de aumentar suas terras, implantar máquinas a fim de alcançar produções cada vez maiores na competição capitalista.

Outro fenômeno notado sobre a relação campo cidade é que: à medida que diminui relativamente a população rural diante da urbana, em conseqüência da industrialização e do êxodo rural, o campo vai sendo manipulado pelas cidades. As áreas rurais deixam de vender apenas o seu excedente de produção às áreas urbanas, como ocorria no passado, e passam a ter quase toda a sua produção orientada pelos interesses urbano-industriais.

Normalmente as metrópoles são o foco de interesse do imigrante rural. Entretanto, ao chegarem nas cidades, não possuindo recursos materiais para seu estabelecimento adequado, acabam improvisando residências carentes de infra-estrutura adequada e em áreas impróprias (ex. morros, beira de esgoto), nas chamadas – áreas de moradias sub-normais – ou favelas. Ali, os migrantes não possuem, na maioria das vezes, água encana e rede de esgoto, passando a viver em condições muito precárias.

Podemos citar como problemas mais comuns nas grandes cidades receptoras de contingente populacional advindo do meio rural – a superlotação dos transportes coletivos, a favelização, a escassez de oferta de emprego, o crescimento dos chamados subempregos (empregos sem carteira assinada, ex: trabalhadores ambulantes em geral), aumento da prostituição, precariedade dos atendimentos médicos hospitalares públicos, falta de vagas nas escolas para estudantes carentes, entre outras dificuldades. Com os problemas mencionados, mais a agravante de muitas vezes o cidadão não conseguir emprego para se sustentar, devido a baixa qualificação do trabalhador rural, estas pessoas acabem entrando no mundo do crime ou pedindo esmolas para sobreviverem ou para conseguir recursos necessários para retorno aos seus locais de origem, o que nem sempre acontece.

Além da segregação espacial, o inchaço do Brasil urbano sem planejamento, multiplicou os violentos contrastes que já caracterizavam a sociedade brasileira. As mansões e edifícios luxuosos das grandes cidades convivem lado a lado com favelas e cortiços. A opulência de alguns - o automóvel do último tipo, às vezes com motorista particular, as roupas caras e da moda, o consumo com diversões, restaurantes dispendiosos - contrapõem-se à pobreza das multidões de subempregados, de mendigos, menores abandonados, de trabalhadores que ganham no máximo três salários mínimos (remuneração de cerca de 60%dos trabalhadores do país segundo IBGE).


No meio rural, a modernização da frota agrícola sem planejamento adequado trouxe vários problemas sociais. A instalação de máquinas, a oferta de trabalho humano, resultou em desemprego para grandes quantidades de trabalhadores. Aqueles que continuaram a fazer serviços como: carpir o mato, colher a safra etc, foram sendo submetidos a uma superexploração devido à exigência do aumento da produtividade.


Todos os problemas apresentados são interdependentes. Eles devem ser entendidos de forma integrada, pois, são partes de um mesmo fenômeno do desenvolvimento urbano desordenado do Brasil nas últimas décadas.

O êxodo rural propiciou no Brasil uma ocupação do espaço que se constitui num dos sérios problemas que o país enfrenta hoje. De acordo com Portela e Vesentini (2000: 3), “(...) enquanto somente cerca de 25% dos brasileiros vivem no campo, os 75% restantes aglomeram-se nas cidades, especialmente nas metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo(...)”.

O Brasil mudou bastante nas últimas décadas. Deixou de ser um país rural e agrário para transformar-se no Brasil urbano e industrial que se conhece hoje. Essa transformação significou modernização para o país, acompanhada de rápida industrialização juntamente ao intenso êxodo rural, gerador da urbanização. Um exemplo claro é a cidade de São Paulo que em 1940 possuía 1,3 milhão de habitantes, em 1950 - 2,1 milhões, e atualmente tem mais de 10 milhões de moradores, abrangendo um conjunto de municípios que se interligam, formando a Grande São Paulo, com cerca de 16 milhões de habitantes. Porém,essa modernização do país multiplicou os violentos contrastes que já se caracterizavam a sociedade brasileira, agravando os contrastes sociais.

Considerações Finais

No Brasil são bastante perceptíveis os problemas que a rápida urbanização, advinda dos movimentos migratórios campo-cidade acarretaram tanto para as áreas repulsoras quanto para as receptoras. As pessoas que saíram das áreas rurais e foram em busca de melhores condições nas áreas urbanas trouxeram prejuízos ao espaço urbano. A ocupação de áreas impróprias levou a problemas de infra-estrutura nas grandes cidades, levando a precariedade nos serviços básicos à população, gerados pela superpopulação. Além do mais, os emigrantes ao saírem das zonas rurais e, ao chegarem em seu destino - zonas urbanas (normalmente metrópoles) não são absorvidas pelo mercado de trabalho e, por sua vez, ficam desempregados, já que o Estado possui poucos mecanismos para adequação dessas pessoas. As mesmas, marginalizadas e sem muitas opções, ficam a perambular pelas cidades transformando muitas vezes em delinqüentes, ladrões, prostitutas, etc.


Referencias:

ADAS, Melhem. A Fome: Crise ou Escândalo?. ED. Moderna. SP- 1999.

ADAS, Melhem; ADAS, Sérgio. Panorama Geográfico do Brasil. Ed. Moderna. 3ª Edição. SP-2001.

NETO, João Augusto Mattar. Metodologia Científica na Era da Informática. Ed. Saraiva. SP-2003.

PORTELA, Fernando; VERSENTINI, José Willian. Êxodo Rural e Urbanização. 16ª Edição. Ed. Ática. SP-2000.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 22ª Edição. Ed.Cortez, SP- 2002.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Aspectos da Praça Doutor Carlos Versiani - Montes Claros


Diego de Sousa R. Fonseca


CONDIÇÕES ATUAIS DA PRAÇA DOUTOR CARLOS


No dia 19/12/2005, fez-se uma pesquisa opinativa na Praça Doutor Carlos, localizada no centro da cidade de Montes Claros. Foram entrevistadas pessoas que se situavam no local, com o intuito de conhecer melhor o perfil dos seus freqüentadores.

Ficou constatado que 50% das pessoas que utilizam o lugar, pertencem à classe média, seguida das classesmédia-baixa, 37,5%, e da pobre, 12,5%. As classes média-alta e alta, respondem por menos de 1% dos freqüentadores.


Gráfico 1


Constatou-se também que 80% do movimento da Praça Doutor Carlos acontece no meio da semana, segunda a sexta, sendo os turnos de maior fluxo o matutino e o vespertino, e apenas 4% dos usuários a utilizam à noite.

O lugar é pouco usado para lazer se comparado com sua funcionalidade como ponto de ônibus. O fato acontece, segundo os freqüentadores, porque há poucos eventos culturais e áreas verdes, incluindo que, segundo estes, a praça não oferece segurança adequada.

Com a reforma da praça deixou-se um espaço sem cobertura muito maior do que antes da reforma. Essa foi uma estratégia arquitetônica da Prefeitura Municipal de Montes Claros, como é de conhecimento da sociedade montesclarense, pois, aquelas áreas cobertas, atraiam indigentes, que acabavam usando esses espaços como abrigo e levando o lugar a apresentar condições precárias de higiene.

Além de afastar os mendigos, as autoridades competentes queriam afastar os camelôs, já que eles adensavam de forma desordenada um local que tem papel significativo na história da cidade

de Montes Claros. O problema foi resolvido com a construção do Shopping Popular, localizado bem à frente da praça, e para onde os vendedores foram deslocados.

O deslocamento dos camelôs da praça Doutor Carlos para o shopping, fez o foco de atenção das pessoas interessadas em lazer ficar mais direcionado no Shopping Popular. Podemos perceber isso, ao notar que as classes freqüentadoras do shopping serem exatamente as mesmas que utilizavam a praça, porém agora, utilizam menos. Logo, depreende-se que o foco de atração de pessoas interessadas em lazer saiu da Praça Doutor Carlos para o Shopping Popular, por este oferecer mais conforto e maior quantidade de divertimento para os montesclarenses. Além das lojas, o shopping oferece área de alimentação, vista panorâmica da cidade e bancos para descanso. Portanto, com a construção desta área, mais agradável ao lazer e tão próxima à praça, sua funcionalidade ficou praticamente restrita a ponto de ônibus.

A pesquisa mostra: 70% das pessoas usam a Praça Doutor Carlos como ponto de embarque para transporte coletivo, e os outros 30% além de a usarem para ponto de ônibus, a utilizam para outros fins.

Seguindo a linha de raciocínio apresentada até agora, fica aparentemente implícito que as pessoas desaprovaram a reforma da Praça Doutor Carlos, porém, colocada de forma direta na pesquisa realizada no dia 19/12/2005, a pergunta: você aprovou a reforma da praça Doutor Carlos? - Setenta por cento (70%) dos entrevistados responderam – Sim. Podemos concluir então que a funcionalidade da praça ficar atualmente restrita a embarque e desembarque de passageiros, aparentemente agrada a população.

Buscando informações sobre a cidade de Montes Claros podemos perceber que são escassas as áreas públicas e gratuitas destinadas ao lazer. E o melhor aproveitamento desse espaço, a praça Doutor Carlos, seria um benefício à população de Montes Claros, principalmente as mais carentes, que não dispõem de maiores recursos para divertimento.

Apesar de o Shopping Popular ter tirado da Praça Doutor Carlos parteimportante das pessoas interessadas em lazer, podemos perceber que esse fato pode ser solucionado sem que um espaço prejudique o outro.

O Shopping Popular só fica aberto até às 18:00 horas, e nesse período em que o shopping está aberto, há grande exposição da Praça ao sol e ao calor, questão agravada após a reforma. Portanto, deve haver a promoção de eventos, que é a principal carência apontada pelos usuários da Praça, no período da noite, mais incisivamente nos fins de semana. Assim nenhum espaço será prejudicado.

Da forma como está a questão da praça, fica subentendido que a prefeitura não quer que a área se torne atrativa para a sociedade menos abastada, com receio de o local ser freqüentado por marginais. Esse sentimento para com as pessoas desprovidas de maior recurso financeiro trata-se de preconceito, visto que não é por ser pobre que o ser humano torna-se necessariamente marginal. O problema da falta de segurança seria resolvido com policiamento mais ostensivo, que é uma das reclamações dos atuais freqüentadores da praça.

Montes Claros atualmente se tornou grande pólo de atração estudantil. São universitários ou estudantes que pleiteiam vagas nas faculdades norte-mineiras que cada vez mais estão vindo morar em nossa cidade. Essa migração de jovens de diversas cidades do Estado de Minas Gerais e até de outros Estados, mudou o panorama econômico e cultural desta cidade.

O centro de Montes Claros é o local que tem atraído mais esses estudantes para morar, pois é no centro que há maior disponibilidade de transporte para os principais pontos de nossacidade. É justamente no centro onde está situada a Praça Doutor Carlos, lugar que poderia estar acontecendo eventos culturais diversos para atender à espectativa de lazer trazida pelos estudantes, esse segmento social tão importante para a economia norte-mineira. A prefeitura deveria estar promovendo esses eventos e aproveitando o espaço da praça, que é um ponto central e bem próximo das moradias dos estudantes. Essa política de investimento em lazer destinado principalmente aos jovens poderia até atrair mais estudantes para nossa cidade.

Em um questionário sobre o que falta na Praça Doutor Carlos para que ela melhore a acomodação de seus usuários, deu-se o seguinte resultado:


Gráfico 2


_ 34,5% acham que a praça ficaria melhor se houvesse mais eventos culturais;

_ 29% acham que ficaria melhor se houvesse mais áreas verdes;

_ 16,5 acham que ficaria melhor se houvesse mais bancos;

_20% acham que a praça ficaria melhor se houvesse mais lixeiras.

É interessante ver um percentual significativo de pessoas dizendo que na Praça Doutor Carlos há carência de lixeiras. Num espaço relativamente pequeno, existem vinte e três (23) lixeiras. Então, falta de latas para armazenamento de lixo nesta praça não há.

As reclamações sobre falta de área verde são pertinentes, todavia se observarmos com atenção o ambiente da praça, veremos que as plantas estão em crescimento, e futuramente, haverá áreas verdes de modo significativo.

A questão dos bancos é pertinente. Apesar do movimento relativamente baixo da praça, em alguns horários, principalmente à noite, quando o movimento de pessoas interessadas exclusivamente em lazer é maior, há carência de bancos para acomodação dos freqüentadores.


CONCLUSÃO

A maior parte dos entrevistados aprovaram a reforma da Praça Doutor Carlos, porém, isso não significa que essas pessoas achem que a Praça não possa ser melhorada.

Segundo os entrevistados, a principal carência do local é a falta de eventos culturais, seguido de áreas verde, bancos e lixeiras respectivamente.

As classes sociais que mais freqüentam a Praça Doutor Carlos são: média (maior parte), média baixa e pobre (a de menor número). As classes média-alta e alta, são minoria absoluta dos freqüentadores.

Atualmente a Praça Doutor Carlos teve sua funcionalidade diminuída, tendo esta sido reduzida a ponto de embarque e desembarque em transporte coletivo.

Sua área de lazer foi “esquecida” com a construção do Shopping Popular, que tem maior atratividade para este fim.

O espaço da Praça Doutor Carlos está sub-aproveitado, pois poderia haver maior investimento em eventos culturais para satisfazer aos interesses dos jovens estudantes que têm imigrado para a cidade de Montes Claros, sendo estes, tão importantes para a economia desta cidade. A prefeitura, juntamente com parcerias privadas, deveria estar investindo na promoção dos eventos culturais e solucionando outras carências apontadas pelos freqüentadores, tendo em vista que, esses são interesses sociais, e beneficiariam a comunidade em geral.

REFERÊNCIAS

PAULO, Hermes de. Montes Claros, Sua Origem, sua História.

VALLE, João Maurício. Pavilhão de Letras. Edição de 22 de Janeiro de 2005, opinião 04.

ENTREVISTAS

PAULA. Virgílio de. Entrevista concedida. Montes Claros, 18/12/2005.

VERSIANI, Praça Doutor Carlos. Entrevista de Opinião Popular realizada pela equipe no dia 19/12/2005. Material usado: questionário.

Você sabe o que é Geoprocessamento?


Diego Fonseca


Geoprocessamento é uma das especializações da ciência geográfica. Consiste num sistema que manipula informações de um dado espaço, sintetizando-as num mapa, porém, com bastante precisão e detalhamento.

Essa ciência utiliza-se de técnicas matemáticas e computacionais para o desenvolvimento da informação. Nos últimos tempos, vem sendo um importante mecanismo na evolução das análises cartográficas, bem como, dos recursos naturais; dos transportes; da energia e do planejamento urbano.

Nessa técnica, três palavras devem ser melhor compreendidas para maior entendimento do sistema. São elas: Geotécnicas, Geomática e SIG. Geotécnica é o conjunto de conhecimentos reunidos em imagens via satélite e fotos aéreas. Geomática é o uso das informações coletadas, ou seja, sua interpretação e análise. O SIG (Sistema de Informação Geográfica) representa as ferramentas computacionais usadas no Geoprocessamento.

São poucos os profissionais que dominam essa área do saber, como também, o conhecimento do que vem a ser geoprocessamento é pouco difundido para o público, acarretando ignorância das pessoas em como o geoprocessamento irá ajudá-las no desenvolvimento das análises espaciais.

Hodiernamente, o interesse pelas análises geoprocessadas vem crescendo principalmente por órgãos governamentais e empresas privadas ligadas aos estudos sociais e naturais. Pessoas que estejam interessadas em se especializar nas análises geoprocessadas estarão diante de um mercado em expansão e muito pouco procurado. O profissional terá grandes chances de ascensão profissional e financeira.