domingo, 11 de fevereiro de 2007

Êxodo Rural no Brasil

Giliard Silva
Adriana Pereira

Pretendemos através deste texto, fazer uma breve discussão sobre a problemática do êxodo rural brasileiro, citando acontecimentos históricos e analisando alguns problemas que envolvem a agricultura hodierna, e geram a expulsão do homem campesino do campo.

Os objetivos dessa dissertação é chamar a atenção do leitor para os problemas sociais urbanos que permeiam nosso país, trazendo-o para dentro da discussão aqui estabelecida e deixando espaços para novas discussões sobre o assunto.

A mudança do campo para a cidade é um dos principais fluxos migratórios internos do Brasil, e é um fenômeno que acontece em todos os países do mundo, variando seu grau de intensidade.

A linha argumentativa tomará como pontos de partida os seguintes aspectos:

Onde se situa a maior taxa de emigração rural brasileira;
O motivo que atrai esses migrantes;
O que ocorreu para que essas pessoas deixassem determinada região;
Que impactos geraram onde saíram e aonde chegaram;
Que mudanças culturais houve naquelas pessoas que chegaram na cidade.

Podemos afirmar que houve uma transição da agricultura tradicional para a moderna quando se deu a entrada de investimentos na agricultura. As inovações de equipamentos técnicos e investimentos para o setor agroindustrial alteraram as relações de trabalho no campo.

A crescente capitalização da agricultura, e a expansão da agroindústria provocaram a concentração de terras, alterando as relações trabalhistas no campo e expulsando os trabalhadores.

Com a expansão do capital, aumentou a utilização de mão-de-obra assalariada nas zonas urbanas, o que atuou como fator primordial para que os trabalhadores rurais saíssem de suas terras e fossem em busca melhoria de vida, atraídos pela ilusão da facilidade de se viver nas cidades.

O êxodo rural é um processo que se dá em dois sentidos inversos - a aceleração do desenvolvimento atrai mão-de-obra rural para a cidade, ao mesmo tempo, a capitalização da agricultura cria condições favoráveis à expulsão do trabalhador rural do campo.

A saída do homem do campo em direção aos grandes centros urbanos, também denominado migração campo-cidade, é um movimento horizontal da população, que envolve milhões de pessoas, principalmente nos países subdesenvolvidos, à partir da década de 1950, em vista das mudanças nas economias nacionais e mundiais.

Desde 1940 o percentual de população rural no Brasil está em declínio, enquanto a urbana encontra-se em ascensão. No censo de 1970, a população urbana ultrapassou a rural no Brasil. Segundo a pesquisa realizada pelo IBGE de 1990 a 1995, a população rural declinou em torno de 30%.

Desde a década de 1950, a região Sudeste apresenta um intenso processo de metropolização e urbanização. Dados do IBGE sobre a década de 60 confirmam essa tendência, já que nessa época, 57,3% dos habitantes do Sudeste já residiam em cidades, era a única grande região do Brasil possuidora da população urbana maior que a rural naquele período.

No conjunto das grandes regiões, hodiernamente, a região sudeste ainda se destaca por possuir o maior percentual de sua população vivendo em cidades (88,3% da população urbana e 11,7% de população rural – IBGE, 1995), seguida pelas regiões Centro-oeste e Sul. As grandes regiões norte e Nordeste são atualmente as que possuem o maior percentual da população vivendo no meio rural.

Podemos observar que o Brasil foi se transformando em um país urbano a partir de 1940, e partir daí, o processo de crescimento populacional das cidades acentuou-se, chegando em 1995, segundo IBGE, a estabelecer a seguinte relação: de cada 100 pessoas no Brasil, 79 estão residindo em cidades.

Muitos são os motivos que incentivam direta ou indiretamente esses intensos movimentos populacionais, levando que famílias saíam do campo em busca de emprego e moradias nas cidades. Essa é a razão básica, ou estrutural, das migrações rurais-urbanas.

É comum nas áreas campesinas, que a família cresça desordenadamente e o tamanho da propriedade rural não atenda proporcionalmente ao sustento das famílias. Há também, em muitos casos, pessoas iludidas por uma vida melhor e “moderna” nas grandes cidades, divulgada principalmente pela televisão.

Outro fator que não se pode esquecer, é a pressão econômica e até física (uso da violência) dos grandes proprietários sobre os pequenos, a fim de comprar suas terras. Tal fenômeno ocorre juntamente com a intensa necessidade que os latifundiários têm de aumentar suas terras, implantar máquinas a fim de alcançar produções cada vez maiores na competição capitalista.

Outro fenômeno notado sobre a relação campo cidade é que: à medida que diminui relativamente a população rural diante da urbana, em conseqüência da industrialização e do êxodo rural, o campo vai sendo manipulado pelas cidades. As áreas rurais deixam de vender apenas o seu excedente de produção às áreas urbanas, como ocorria no passado, e passam a ter quase toda a sua produção orientada pelos interesses urbano-industriais.

Normalmente as metrópoles são o foco de interesse do imigrante rural. Entretanto, ao chegarem nas cidades, não possuindo recursos materiais para seu estabelecimento adequado, acabam improvisando residências carentes de infra-estrutura adequada e em áreas impróprias (ex. morros, beira de esgoto), nas chamadas – áreas de moradias sub-normais – ou favelas. Ali, os migrantes não possuem, na maioria das vezes, água encana e rede de esgoto, passando a viver em condições muito precárias.

Podemos citar como problemas mais comuns nas grandes cidades receptoras de contingente populacional advindo do meio rural – a superlotação dos transportes coletivos, a favelização, a escassez de oferta de emprego, o crescimento dos chamados subempregos (empregos sem carteira assinada, ex: trabalhadores ambulantes em geral), aumento da prostituição, precariedade dos atendimentos médicos hospitalares públicos, falta de vagas nas escolas para estudantes carentes, entre outras dificuldades. Com os problemas mencionados, mais a agravante de muitas vezes o cidadão não conseguir emprego para se sustentar, devido a baixa qualificação do trabalhador rural, estas pessoas acabem entrando no mundo do crime ou pedindo esmolas para sobreviverem ou para conseguir recursos necessários para retorno aos seus locais de origem, o que nem sempre acontece.

Além da segregação espacial, o inchaço do Brasil urbano sem planejamento, multiplicou os violentos contrastes que já caracterizavam a sociedade brasileira. As mansões e edifícios luxuosos das grandes cidades convivem lado a lado com favelas e cortiços. A opulência de alguns - o automóvel do último tipo, às vezes com motorista particular, as roupas caras e da moda, o consumo com diversões, restaurantes dispendiosos - contrapõem-se à pobreza das multidões de subempregados, de mendigos, menores abandonados, de trabalhadores que ganham no máximo três salários mínimos (remuneração de cerca de 60%dos trabalhadores do país segundo IBGE).


No meio rural, a modernização da frota agrícola sem planejamento adequado trouxe vários problemas sociais. A instalação de máquinas, a oferta de trabalho humano, resultou em desemprego para grandes quantidades de trabalhadores. Aqueles que continuaram a fazer serviços como: carpir o mato, colher a safra etc, foram sendo submetidos a uma superexploração devido à exigência do aumento da produtividade.


Todos os problemas apresentados são interdependentes. Eles devem ser entendidos de forma integrada, pois, são partes de um mesmo fenômeno do desenvolvimento urbano desordenado do Brasil nas últimas décadas.

O êxodo rural propiciou no Brasil uma ocupação do espaço que se constitui num dos sérios problemas que o país enfrenta hoje. De acordo com Portela e Vesentini (2000: 3), “(...) enquanto somente cerca de 25% dos brasileiros vivem no campo, os 75% restantes aglomeram-se nas cidades, especialmente nas metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo(...)”.

O Brasil mudou bastante nas últimas décadas. Deixou de ser um país rural e agrário para transformar-se no Brasil urbano e industrial que se conhece hoje. Essa transformação significou modernização para o país, acompanhada de rápida industrialização juntamente ao intenso êxodo rural, gerador da urbanização. Um exemplo claro é a cidade de São Paulo que em 1940 possuía 1,3 milhão de habitantes, em 1950 - 2,1 milhões, e atualmente tem mais de 10 milhões de moradores, abrangendo um conjunto de municípios que se interligam, formando a Grande São Paulo, com cerca de 16 milhões de habitantes. Porém,essa modernização do país multiplicou os violentos contrastes que já se caracterizavam a sociedade brasileira, agravando os contrastes sociais.

Considerações Finais

No Brasil são bastante perceptíveis os problemas que a rápida urbanização, advinda dos movimentos migratórios campo-cidade acarretaram tanto para as áreas repulsoras quanto para as receptoras. As pessoas que saíram das áreas rurais e foram em busca de melhores condições nas áreas urbanas trouxeram prejuízos ao espaço urbano. A ocupação de áreas impróprias levou a problemas de infra-estrutura nas grandes cidades, levando a precariedade nos serviços básicos à população, gerados pela superpopulação. Além do mais, os emigrantes ao saírem das zonas rurais e, ao chegarem em seu destino - zonas urbanas (normalmente metrópoles) não são absorvidas pelo mercado de trabalho e, por sua vez, ficam desempregados, já que o Estado possui poucos mecanismos para adequação dessas pessoas. As mesmas, marginalizadas e sem muitas opções, ficam a perambular pelas cidades transformando muitas vezes em delinqüentes, ladrões, prostitutas, etc.


Referencias:

ADAS, Melhem. A Fome: Crise ou Escândalo?. ED. Moderna. SP- 1999.

ADAS, Melhem; ADAS, Sérgio. Panorama Geográfico do Brasil. Ed. Moderna. 3ª Edição. SP-2001.

NETO, João Augusto Mattar. Metodologia Científica na Era da Informática. Ed. Saraiva. SP-2003.

PORTELA, Fernando; VERSENTINI, José Willian. Êxodo Rural e Urbanização. 16ª Edição. Ed. Ática. SP-2000.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 22ª Edição. Ed.Cortez, SP- 2002.

9 comentários:

Fê Cunha disse...

Belo texto Diego. Está de Parabéns!!!

RUBEM disse...

Bem realista e esclarecedor. Me ajudou muito em minha pesquisa. arabéns pelo texto!

RUBEM disse...

Digo: Parabéns pelo texto!!!

Thais disse...

Nossa muito bom o texto, me ajudou muito no meu trabalho.

Larissa disse...

Nosssa... Parabéns! Esse texto me ajudou bastante no trabalho da escola! E o mais importante é que agora eu aprendi.

josi disse...

muito bom,, ajudou bastante no meu tcc...parabens..

juninho disse...

po manero diego muto bom seu texto cara me ajudou muito no trabalho da escola veii!"! parabéns pelo texto vlw ae

simone disse...

bom texto e as datas ajudam

Brenda Emily Dias Tavares disse...

Muito bom.. gostei